Ao mestre, com carinho

Uma das coisas mais importantes na hora de se decidir por viajar para estudar inglês é o tipo de curso e a escola. Claro que sempre vai ter o fator “grana” que poderá ou não impedir de optar pela melhor escola da cidade. Mas ainda assim, ainda com uma verba menor, dá pra dedicar um tempo a ler sobre as escolas, checar referências, indicações, consultar se concedem os certificados adequados etc.

Quando decidi viajar pra Dublin, passei um mês focada em checar escola por escola e escolher a que melhor me convinha. Consegui boas indicações sobre uma delas e foi nela que resolvi investir.

O curso era de 6 meses, voltado para um inglês geral, que inclui a rotina, nada técnico ou profissional. Na verdade, o que eles chamam de “General English” é o curso mais escolhido pela maioria dos estudantes imigrantes.

A escola se prontifica a te fazer um teste oral pra te encaixar numa classe na qual os alunos estão no mesmo nível que você, o que na prática não é bem assim que funciona. Fui designada para uma sala de nível intermediário. Lá encontrei pessoas que falavam muito mais inglês que eu e outras que não conseguiam sequer fazer o d mudo em “And”. O jeito é se adaptar mesmo. 

O primeiro dia de aula é um tremendo choque. O professor te recebe despejando um monte de coisas na língua mãe dele como se você fosse um amigo de infância que ele não via há 6 anos. Eu tentava prestar atenção (muita) pra acompanhar o ritmo, enquanto todos os alunos pareciam estar super bem enturmados e avançados. Comigo a adaptação da primeira semana foi rápida. Para outros, pode ser um pouco mais complicado. Dependendo da pessoa, algumas barreiras precisaram ser ultrapassadas, e elas não tem a ver com o “nível”:

Um: sotaque 

Nem vou ficar falando, porque é algo que não dá pra descrever. A questão é: se não houver esforço do aluno em ouvir os nativos falando, escutar suas músicas, assistir seus noticiários, não vai rolar. Checa no youtube o sotaque irlandês e faz um teste. Veja se você entende algo, depois me conta. 

Dois: vergonha

Para pessoas tímidas ou introspectivas, isso é muito sério. O país é outro, imigrantes circulando de todos os lados, novas culturas, todo mundo é desconhecido e o professor não fala a sua língua. Isso dentro de uma sala durante 4 horas. O que fazer? Amigos, lógico! Uma cerveja na sexta depois da aula faz a vergonha sumir rapidinho. Em tempo: se isolar não ajuda!

Três: passar vergonha

O brasileiro gosta de se aparecer, não tem jeito, é cultural! Fala e ri muito. Só que para a piada ter graça, é preciso entendê-la. Vi muitos estudantes com mais de 2 anos de curso, ainda com inglês basicão e gaguejando coisas simples. Alguns têm tanto medo de dar vexame, de pronunciar mal as palavras, de errar, que vão se calando cada vez mais. Esses acabam saindo do intercâmbio com ótimos “ler e escrever”, mas péssimos “escutar e falar”. Dinheiro jogado fora.

Quatro: o português

Esse é o ponto mais difícil, quase impossível. Na irlanda, como eu já falei 173 vezes, há muitos brasileiros. O português é ouvido nas ruas, nos supermercados, nas baladas, nos trabalhos disponíveis, nas casas pra alugar. Nem pense em gravar um áudio contando um segredo cabeludo seu em português, enquanto está parado na faixa de pedestre. O curso vai render muito mais se o português for deixado de lado. Afinal, pra que estamos gastando rios de dinheiro mesmo? Ah sim, pra aprender a falar inglês.

Cinco: todo mundo fala inglês- menos eu. 

A gente acha que todas as pessoas da Terra falam inglês. Eu também pensava assim. Mas, da onde é que tiramos isso?! 

AAAAH ROBERTA, MAS O INGLÊS FOI CONSIDERADO O IDIOMA UNIVERSAL, UÉ!

E???

O inglês foi considerado o idioma universal  por causa do crescimento econômico e político dos E.U.A  lá no século XX. E, claro, porque é a língua mais fácil de se aprender. 

São +- 56 países que têm o inglês como língua materna (segundo um site de história), só que são 193 países no mundo! Portanto, relaxe. Na verdade nós, brasileiros, somos muito exigentes. Nos cobramos muito em tudo e o fato não falarmos inglês como nativos, na nossa cabeça, nos deprecia ou nos desmerece. Bobagem! Ao invés de ficarmos chateados com isso, poderíamos dar mais valor ao português, que é uma das línguas mais ricas e difíceis do mundo, ao invés de ficar enchendo a bola dos outros.

Se praticarmos, conseguimos falar inglês com um ótimo acento americano ou britânico. Por sua vez, você já viu um americano falando português com um real sotaque brasileiro? Claro que não, porque não é possível. Quando você for falar em inglês com um gringo e se enrolar,  pede pra ele repetir:

João é uma exceção, pois sempre morou no meu coração. 

😈

Vencendo essas barreiras que, em minha opinião, dificultam o aprendizado mais que qualquer falta de habilidade, dá sim pra sair bem de um curso de 6/9 meses e fazer valer o investimento. 

Na escola

A cada teste geral realizado, os alunos ou avançam seus níveis e mudam pra outras salas ou ficam na mesma pra melhorarem um pouco mais. Na escola, as mudanças são diárias. Todo dia tem gente chegando, perdidos e com cara de espanto. Amigos queridos voltam para seus países, outros renovam e ficam por mais um tempinho. No meio disso tudo, estão os professores. Alguns só passam; outros, no entanto, ficam pra sempre.

Durante o meu curso, passei de nível três vezes e a cada um deles ia trocando de sala com alunos, professores e métodos de ensino diferentes. Lembro de quase todas as pessoas que conheci desde a primeira turma; algumas delas são minhas amigas próximas até hoje. Lembro também de cada professor. O primeiro foi marcante, era descolado, energético, falante e veio a se tornar coordenador da escola depois; uma polonesa, exigente a beça, que tinha um humor negro incrível; o sex symbol da escola que dava aula pra 12 moças e 1 rapaz que também achava ele lindo; um professor jovem e tímido, que sempre mencionava a esposa e se tornou pai recentemente; a moderninha meio estressada que não podia ouvir um risinho na sala que já parava de falar; o substituto maluco que nunca comprava bilhete do trem, pois se fingia de deficiente mental quando algum fiscal pedia a passagem. Lembro de cada um deles e com cada um deles, aprendi algo novo, inusitado ou inesquecível.

Mas claro que pra cada aluno há sempre aquele que professor que vem, se apresenta e do nada te conquista. Ele em si é a motivação de irmos pra aula, de passarmos 4 horas ali. Ele faz a sala se tornar amiga, não duplas ou clubinhos, mas todos juntos como um só. Ele se importa com você e, com o tempo, você percebe que também se importa com ele.

São poucos os alunos que podem dizer que tiveram um professor assim durante o tempo de intercâmbio no Exterior. Eu, felizmente, posso.

Passo a passo

Logo depoi das primeiras semanas de aula, fiz a prova, mudei de nível e fui pra sala do sex symbol, que citei acima. Era uma tarefa árdua ficar olhando pra ele e não se desligar por completo da matéria, mas, acima de tudo, também era uma missão quase impossível entender o que ele dizia. Enquanto a maioria dos professores se empenhava em “neutralizar” o sotaque irlandês, o bonitão não fazia a menor questão disso. Talvez o problema fosse eu mesmo, porque as outras meninas iam bem, talvez porque eu era nova na sala, sei lá. O fato é que entrei numa sinuca de bico: o cara era muito legal, uma pessoa boníssima. Sei disso, pois foi na mesma época que eu estava enfrentando todo aquele problema com a polícia. Me recordo de uma ou duas vezes que chorei durante a aula e ele foi extremamente generoso, assim como as alunas. Só que eu estava passando por todo aquele drama no trabalho justamente por ter ido pra Irlanda estudar inglês e enquanto estivesse naquela sala não conseguiria acompanhar.

Durante o período de aula, uma das salas ao lado me chamava a atenção. Na maioria das vezes, a porta estava aberta e os alunos estavam falando em inglês uns com os outros, como um debate, enquanto o professor ficava no meio da roda. Eu gostava disso, parecia que lá eram todos do mesmo nível. Além disso, o professor tinha um jeito de vovô, daqueles muito bondosos.

Decidi radicalmente mudar de sala. Peguei uma ficha de transferência, preenchi meus dados e escrevi apenas:

“Quero ir pra sala do professor Roy.”

Tomei muitas atitudes erradas enquanto estive em Dublin, algumas nem quero lembrar. Mas acertei em cheio quando escrevi o motivo naquela ficha.

Bate-papo, violão, Evidências e cookies

Na turma do professor Roy, eu esquecia dos problemas com o rick shaw, falava sobre minhas dificuldades em Dublin, contava sobre meu final de semana, minha vida no Brasil, minha carreira, namorado etc. E tudo isso errando muitas pronúncias, e por que não? O grupo era mesmo bem nivelado e todos eram amigos uns dos outros. Não havia nem vergonha, nem vexame. O professor Roy tinha uma didática diferente, ele abria espaço para que falássemos e cada aula parecia ser mesmo feita de um grande debate. Claro, ele também ensinava gramática, mas, talvez, a experiência dele de vida já havia mostrado que não adiantava regras gramaticais ou saber a terceira coluna da tabela de verbos de cor se o aluno não conseguia se expressar em voz alta ou falar com os outros, falar de si e rir de si mesmo. Todo dia era um natural bate-papo, porque ele nos dava a voz que precisávamos para aprender como falar em inglês em Dublin ou em qualquer lugar do mundo, sem medo. 

Professor Roy também é músico. Na minha primeira sexta-feira na sua turma, fiquei em choque quando ele chegou com o violão, duas letras de músicas impressas pra cada aluno e um tupperware repleto de biscoitos. A esposa dele fazia às quintas-feiras, os famosos Flapjack Cookies que ele trazia, toda sexta-feira para seus alunos. Portanto, sexta-feira que já é ótimo sempre, com professor Roy tocando violão e ensinando a gente a cantar as músicas típicas irlandeses era ainda melhor. E claro com os deliciosos Flapjacks que ele nos dava. ❤

Falando assim, talvez soe meio infantil. Mas essa era uma das maiores demonstrações de carinho que muitos de nós recebíamos através das mãos de um irlandês. Significava muito.

Molly Malone era a minha favorita. Pena que não é Roy no clip.

Nunca vou esquecer de uma sexta-feira específica quando ele começou a dedilhar uma música muito famosa… daqui. E cantou um ou dois pedacinhos em português. O silêncio da surpresa se instalou quando percebemos que era Evidências. Ele havia aprendido como tocá-la e perguntou: Essa música é famosa né, lá no Brasil? Vocês sabem a letra?

Claro que ele tinha a letra. O coro de todos nós cantando dentro da sala foi absurdo, algumas pessoas pararam na porta pra ver. Numa escola onde falar português dentro da sala era proibido, vivemos um momento como se estivéssemos em casa.  Lembrar disso hoje, mais de dois anos depois, ainda me emociona. Algo tão simples tornou-se um dos momentos mais bonitos que vivi em Dublin.

 

Recentemente, fiquei sabendo que os Encontros de música que professor Roy promovia semanalmente nas salas, ganharam espaço na escola. Sorte dos alunos. Agora tem lugar apropriado, outros músicos e instrumentos, coral, alunos com habilidade pra cantar se desenvolvem etc… Tudo isso através da dedicação desse ser humano único.

Hoje, em nosso Dia dos Professores, eu presto minha homenagem falando sobre esse mestre que marcou meu ano de 2016. Alguém que eu trouxe comigo quando voltei através das lembranças e que guardo no coração, mesmo estando a 9395 km de distância. Alguém que um dia irei rever, tenho certeza.

Obrigada, professor Roy, por todos os ensinamentos, por alegrar as minhas semanas. Obrigada por ter insistido para conhecer meu namorado quando ele visitou Dublin, por ter aprendido a tocar uma de nossas músicas brasileiras, por ter ido à minha despedida. Obrigada por ter tido sempre uma palavra de carinho para nos receber à porta da sala e por nos respeitar, acima de tudo, como seres humanos. Obrigado, professor, por estar sempre disposto a também aprender conosco e por nos tratar como iguais. Pedir transferência para a sua sala foi a melhor coisa que eu poderia ter feito quando morei em Dublin. Alguma coisa me dizia que o senhor era mesmo especial.

Será sempre meu professor favorito. Jamais irei esquecê-lo.

 

♥️

And now, in English! 

To Sir, with Love

One of the most important things when you decide to travel abroad to study English is which school and which course you will attend to. Of course, there’s always the money factor that can keep you from going to the best school in town. Even so, even with a low budget, it’s possible compare schools, check references, see if they issue adequate completion certificates, among other things.

When I decided to go to Dublin, I spend a whole month just checking every school in order to choose the one that suited me better. I got very good references from one of them and decided to enroll into it and invest my money and time on it.

It was a six months course, focused in general English, that included day-to-day English, but nothing professional or involving a particular lingo. Actually, what they call “General English” is the course that most foreigner students take.

The school makes you take an oral test to see in which class you fit in best, because the other students should be at your level at English proficiency, which is good in theory but it’s not exactly how it works. I was sent to a medium level class. There, I encountered guys who were way more fluent then myself and guys who couldn’t even pronounce “and” the right way. So, all I could do was adapt myself to it.

The first school day was a huge shock. The teacher welcomes you just throwing at your face a lot of words in his mother language, like you were his childhood friend he hadn’t seen in 6 years. I paid (a lot) of attention so I could keep up, while the other students seemed to be doing just fine, like they were in a whole other level. Even so, for me, the first week adaptation was smooth. To others, it might be a bit more complicated. It varies from person to person, because there are some barriers that need to be surpassed, and they’ve got nothing to do with one’s “level of proficiency”.

Number one: accent

I’m not going to write a lot about it, because is something that can’t be described in words. The thing is: if the students don’t try really hard to listen to the natives speaking, listen to their music, watch their News, it ain’t gonna happen. I suggest you try it yourself, check on YouTube an Irish speaking. See if you understand something and then tell me about it.

Number two: shyness

To shy or introspective people, there’s going to be a very serious problem. It’s another country, there are immigrants everywhere, new cultures, everybody is a stranger and the teacher doesn’t speak your language. And that’s how it’s going to be inside the classroom for 4 hours. What to do about it, then? New friends, of course! A beer Friday after class makes shyness vanish really fast. By the way: isolating yourself won’t do you any good.

Number three: embarrassments

Brazilians like to be the center of attention, it’s cultural, there’s nothing we can do about it! They talk and laugh a lot. But… in order to a joke be funny, you have to get it. I saw a bunch of students that, even though they were studying English there for two or more years, they couldn’t even get the basics of the language, they would stutter in pretty simple words. Some of them were so afraid of being embarrassed, to mispronounce words, to make mistakes, that they would stay quiet and get even quieter over the time. Then they would just leave the exchange period with great grades in “writing and reading” and very lousy ones in “speaking and listening”. A waste of money.

Four: avoiding speaking Portuguese

This is the hardest one, almost impossible. In Ireland, like I’ve said before around 173 times, there are lots of Brazilians. Portuguese is heard on the street, at supermarkets, at dance clubs, at the available Jobs, at rental houses, and so on. Don’t even think about recording a WhatsApp audio telling a dirty secret of yours while you are at a crosswalk. Because you can be sure of one thing: somebody will be listening and understanding the whole thing. If Portuguese is left aside, you will make the best of the course. After all, why are we spending loads of cash anyway? Oh yeah, learning to speak English.

Five: everybody speaks English – except me.

We think that everybody on planet Earth speaks English. I used to think that way too. But, where do we get this idea from?

“AAAAAAH ROBERTA, BUT ENGLISH IS CONSIDERED TO BE THE UNIVERSAL LANGUAGE!”

So?

English was considered to be the universal language because of the US economic and political growth back there in the 20th century. And, of course, because it is the easiest language to learn.

There are around 56 countries that have English as their native language (accordingly to a History website), but there are 193 countries around the world! Actually, we, Brazilians, are too hard on ourselves. We demand a lot form ourselves in everything and the fact that we don’t speak English like a native speaker do, in our minds, it makes us lesser beings. Instead of being upset about it, we should stop taking Portuguese for granted and appreciate it more, because it’s one of the richest and most difficult to speak languages in the world, and we should also stop kissing everybody else’s ass.

If we practice, we can speak English with an excellent American or British accent. On the other hand, have you ever seen an American speaking Portuguese with an authentic Brazilian accent? Naturally, you haven’t. And that’s because it is impossible. When you are speaking English to some Foreigner person and you get confused, just ask him to repeat:

João é uma exceção, pois sempre morou no meu coração. 😈

Surpassing this barriers that, in my opinion, make the learning harder, it is possible to do just fine in a 6 to 9 months course and make your money worth.

At School

Once a general test was made, the students would either move forward to the next level or stay at the same one, so they could get a little better. At school, changes happen on daily basis. Every day there are people coming, looking lost and scared. Dear friends going back to their homelands, others sign again to the course and stay a little longer. And, in the middle of it all, there are the teachers. Some just pass us by; others, though, stay with us for life.

Step by step

During my whole course, I completed three levels, each time I completed one I would Exchange classroom and the students, teachers and teaching methods would be different from the previous ones. I remember almost everybody I got to know since my first class; some of them are my close friends until nowadays.  I also remember every teacher. The first one, very cool, with lots of energy to spare, used to talk a lot, and would, later on, become the school coordinator; then, there was the polish girl, very demanding that had dark sense of humor; there was also the guy who was the school’s sex symbol who taught 12 girls and a man, who also found the teacher cute; then there was the young shy teacher, who always talked about his wife and had a kid, just now; then there was the modern girl who was kind of stressed and couldn’t hear a laugh that she would suddenly stop giving her class; there was the crazy substitute teacher, that would never buy the train ticket and would pretend being a person with mental problems when some inspector asked him for the ticket. I remember every and each one of them, I learned something new, unexpected for and unforgettable with each.

But, for sure, each student has that teacher who comes, introduces himself or herself and just like that you already like him/her. The teacher is the only motivation one needs to go to class, to spend 4 hours in a classroom. Mine made the whole class become friends, not just pairs or little groups apart from each other, but everybody in the same group. He cares about you and, in time, you realize that you also care about him.

There are very few students that can say they had a teacher like him, during their exchange period. I, gladly, can say I had one.

Chit chat, guitar, “Evidências” and cookies.

Soon after the first few weeks, I took the general test and went to the sex symbol class (that mentioned before). It was a difficult task to stare at him and not forget about the class, but above all it was a nearly impossible mission to understand what he was saying. While most teachers would try to “neutralize” the Irish accent, the pretty boy couldn’t care less about it. Maybe I was the problem, because the other girls seemed to be doing fine, perhaps it was because I was the new girl in class, I don’t know. The fact is that I didn’t know what to do, the guy was very nice and a very good person. I know that because it happened at the same period that I was facing those problems with the police. I remember that I cried because of it once or twice during classes and he was very kind to me and so were the other girls. But I was facing all that drama at work just because I had gone to Ireland to learn English and while I was at that class, I would not be able to improve at it.

One of the classes next to mine got my attention. Almost every time its door was open, and the students were speaking English to each other, debating about something, while the teacher sat at the middle of the student’s circle. I liked that, it looked like everybody there were at the same level. Besides, the teacher looked like that grandfather figure, like one of those very kind grandpas.

Then, I decided to change classes. I picked up a transference form and wrote down: “I want to go to Professor Roy class”.

I had a lot of bad choices in my period at Dublin, some I don’t even want to remember. But this time it was a bullseye, I was absolutely right when I wrote that observation at that form.

At Professor Roy’s class, I was able to forget all about my problems at my Rickshaw job, I used to talk about my difficulties at Dublin, used to talk about my weekends, about my life in Brazil, about my boyfriend, among other things.  And all of that with a lot of mispronunciations, I mean, why not, right? The group of students were really at the same level and we were all friends to each other. There was no shyness, nor embarrassment. Professor Roy had different teaching methods, he used to let us talk and each class looked like it was designed to create great debates. Sure he also taught us grammar, but, perhaps, his life experience had shown him that knowing grammar rules or the past tense of all verbs would do the students no good if they weren’t able to express themselves out loud, to speak to others, to talk about themselves and, sometimes, even laugh at themselves. Everyday became a huge chat room because he gave us the voice we needed to speak English everywhere around the globe, without any hesitation.

Professor Roy was also a musician. At my first Friday at his classroom, I was in in shock, when he entered the room with a guitar, two songs lyrics with copies for each student and a jar full of cookies. His wife used to prepare them on Thursdays, the famous Flapjack cookies that he would bring, every Friday, to his students. Therefore, Friday, that was already a great day, with Professor Roy playing his guitar and teaching us to sing Irish songs, became an even better day. And, of course, there was also the delicious Flapjack cookies.

Speaking like that, it may sound kind of childish, maybe. But it was the greatest demonstration of affection that most of us would receive from an Irish. It really meant a lot.

I will never forget that Friday that he started playing a very famous song… from Brazil. And he sung one or two parts of it in Portuguese. Then, everybody stayed in silence, very surprised when we realized it was “Evidências”. He had learned how to play it and asked: “This song is famous in Brazil, isn’t it? Do you know the lyrics?”

Of course, he had the lyrics. We made an absurd chorus of voices, some people even stopped by the door to check it out. At a school where speaking Portuguese is forbidden inside the classroom, for that moment we felt like we were home. Remembering this, over two years later, still touches me. Something that simple became one of the most beautiful moments I lived in Dublin.

Recently, I’ve heard that Professor Roy’s weekly musical encounters started do grow bigger at the school. Lucky students. Now, the encounters happen in an appropriate room, with more musicians and other musical instruments, corals, students develop their singing talents, among other things… All of that is only possible because of the dedication of this special human being that finds no equal.

Today, in Brazilian’s Teacher’s Day, I pay tribute to this great teacher that left his mark at my year of 2016. Someone that I brought back to Brazil, and that I keep at my heart, even though we are 9395 km apart. Someone that I am sure that I will see again.  

Thank you, Professor Roy, for all your teachings, to make my weeks happier. Thank you for wanting to meet with my boyfriend when he visited Dublin, for learning to play one of our Brazilian songs, for going to my farewell party. Thank you for always having words of cheer to welcome us to class and, above all, for respecting us as human beings. Thank you, Professor, for being willing to learn with us, for treating us like equals. Transferring to your class was the best thing I’ve done while living in Dublin. Something was telling me, by then, that you were really special.

You will always be my favorite teacher. I will never forget you.

This is for you. A great song from a great singer to a great man:

♥️    

 

Anúncios

2 comentários em “Ao mestre, com carinho

Adicione o seu

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

Site hospedado por WordPress.com.

Acima ↑

Crie um novo site no WordPress.com
Comece agora
%d blogueiros gostam disto: